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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A Lenda da Fidelidade.


Conta-se que em tempos muito remotos havia um convento de monjas agostinianas, perto da cartuxa de Monte Alegre. Havia entre elas — e era, por certo, a mais humilde — uma monja de família nobre, de alta linhagem e muito bela. Numa tarde, um cavaleiro que habitava nos arredores do castelo desse lugar, por acaso viu-a no jardim, e de tal maneira impressionou-se por sua beleza, que não teve mais repouso. Desde então o cavaleiro rondava todas as noites o jardim do convento, chegando ao extremo de escalar os muros e cantar em frente à cela da enclausurada. Esta teve notícia dos padecimentos do jovem cavaleiro, e chorou amargamente por ser causa deles. Sua humildade e sua religião não podiam suportar a situação que o cavaleiro lhe criava, rondando-a como se fosse do mundo. Uma tarde, depois de rezar devotamente na capela do convento, pedindo conselho a Santíssima Virgem, tomou uma decisão heróica. Ao chegar a noite, a monja esperou atrás da cela em que o cavaleiro escalava o muro do convento, como era seu costume. Não teve que esperar muito tempo. Apenas a lua despontou no céu, viu o cavaleiro que, colocando uma escada no muro, desceu em silêncio por ela, levando sua espada. Saiu então a monja e se aproximou do cavaleiro, que estava trêmulo de emoção. Ela então lhe disse que havia sabido do muito que por seu amor sofria tentações, e que não poderia consentir nisso. E tampouco podia tolerar que todas as noites ele rondasse sua cela e lhe cantasse trovas, quebrando o espírito de clausura. O cavaleiro referiu-se à sua extrema beleza. Ao ouvir estas palavras, a religiosa respondeu que, como era sua beleza que causava suas tentações, estava decidida a destruí-la, para devolver à sua alma a tranqüilidade que tinha perdido. Dizendo isto, tirou uma adaga que trazia escondida embaixo do escapulário, e com um só golpe cortou o nariz. A lenda não conta o que aconteceu com o cavaleiro, mas nos consta que naquele lugar nasceu um raro arbusto, de uma espécie desconhecida até então, que dava flores de cor vermelha e em forma de nariz. Os cientistas do país asseguram que não há outro igual em toda a Catalunha. Em várias ocasiões, procuraram extirpá-lo, mas renascia com maior louçania. Puseram-lhe o nome de "arbusto de fogo", mas o povo, sempre amante do maravilhoso, o chama de "arbusto dos narizes".

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