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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Os escravos da Internet.


Vieram lhe convidar para um chopp, o programa não lhe percebeu muito interessante. Quem mais iria? Seria em qual bar? A noite estaria fria? Ah... melhor ficar em casa, pensou ele . Lá entre aquelas quatro paredes, havia uma grande companheira que não lhe exigia que tomasse um super banho, nem colocasseuma bonita roupa, nem que passasse um agradável perfume e depois ainda tivesse que articular palavras e sorrisos. Pensando assim, em casa ficou como na maioria dos dias dos últimos quatro anos de sua vida. Amarrado a uma cadeira, hipnotizado por uma tela de computador e trocando idéias com inúmeras mulheres que não conhecia e que provavelmente muits delas , nunca viria a conhecer. Com o passar do tempo, quilos foi ganhando. No corpo e na mente um acúmulo de gorduras se formando. Alguns problemas de coluna também foram surgindo, dores nas pernas inclusive. . Claro aquela vida sedentária começou a dar os seus primeiros sinais. Era um entra e sai na sala de bate-papos, uma busca incessante sabe se lá de que. Sempre cumpria o mesmo ritual: Seu nome? Idade? Estado civil? Altura, peso(detalhe importante) Procuras o que por aqui? O mesmo que eu? (Se bem que ele nem sabia o que procurava) Escravos da Internet não sabem exatamente o que procuram, se um amor ou inúmeras aventuras ou até quem sabe, até a fuga do mundo real. Criava coragem para levantar daquela cadeira só para sair com uma hoje, outra amanhã e sempre muito orgulhoso do volume de mulheres que conseguia conquistar. Mas será que conseguia mesmo? Colecioana fotos numa pasta que criou em seu micro na qual colocou o nome ...........ELAS, com algumas subpastas é claro- feias, bonitas, altas, baixas, magras, novas , velhas. Em nenhuma dessas mulheres deixava rastros, com nenhuma construia laços. Eram cinqüentas saídas inúteis muito pouco tempo se tornava desinteressante, a ânsia de conhecer outras não permitia ficar mais tempo. Do alto dos seus quarenta aninhos, transformava-se em um garoto de dezoito ao perceber que para sua lista de conquistas arrematou uma de vinte.. Na verdade nem conseguiu ver suas qualidades, apenas que ela possuia pouca idade, motivo de glória para ele essa, era como se fosse um troféu. Com o tempo também a Internet foi lhe roubando certas coisas, como por exemplo, o senso do ridículo, o discernimento entre o viável e o inviável, a dignidade, o entendimento do que é ser um homemde verdade, o sabor de amar, o prazer realmente fazer amor. A Internet foi capaz até de nele, passar aquela borracha na linha divisória que existe dentro de cada um de nós, que separa a realidade da ilusão, a verdade da mentira. Ele acredita piamente que escolhe suas conquistas, que determina as mulheres que quer, não percebe que quem é ele que tá por todo tempo estagnado no mesmo lugar e elas que passam por ele por períodos rápidos até chegarem ao seu destino. Ele no entanto não tem caminhos a seguir, vive como as árvoresna beira da estrada, que vistas da janela de um carro em movimento passam como um flash... Amigos? Foi abrindo mão de todos... Calor humano? Não sabe mais o que é isso... Sinceridade, realidade? Esqueceu o que é... Fazer amor, com cada parte do corpo, com alma, coração, derramando por cada poros gotas de desejo? Não se recorda mais o que é isso... Hoje ele faz sexo com letras e também com corpos que minutos depois nem se recorda mais do cheiro... nem mesmo do gosto do beijo...

domingo, 30 de setembro de 2018

A Vida me ensinou...


A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração; Sorrir às pessoas que não gostam de mim, para lhes mostrar que sou diferente do que elas pensam; Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar; Calar-me para ouvir; aprender com meus erros. Afinal eu posso ser sempre melhor. A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo. A ser forte quando os que amo estão com problemas; ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho; ouvir a todos que só precisam desabafar; Amar os que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos; perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão; Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor; a alegrar quem precisa; a pedir perdão; a sonhar acordado; a acordar para a realidade (sempre que fosse necessário); a aproveitar cada instante de felicidade; a chorar de saudade sem vergonha de demonstrar; Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas", embora nem sempre consiga entendê-las; a ver o encanto do pôr-do-sol; A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser; a abrir minhas janelas para o amor; a não temer o futuro; Me ensinou a aproveitar o presente, como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesma tenho que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher. (Charles Chaplin)

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

O Mestre e o Samurai.


Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o samurai sentiu-se repentinamente inferior. Ele então disse ao Mestre: - "Por quê estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por quê estou me sentindo assustado agora?" O Mestre falou: - "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei." Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o samurai perguntou novamente: - "Agora você pode me responder por que me sinto inferior?" O Mestre o levou para fora. Era um noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse: - "Olhe para estas duas árvores, a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior "Por quê me sinto inferior diante de você? Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso." O samurai então argumentou: - "Isto se dá porque elas não podem se comparar." E o Mestre replicou: - "Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer grande orador, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer. Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade , ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença. Tudo é expressão igual de vida."

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Concentração.


Após ganhar vários torneios de Arco e Flecha, o jovem e arrogante campeão resolveu desafiar um mestre Zen que era renomado pela sua capacidade como arqueiro. O jovem demonstrou grande proficiência técnica quando ele acertou em um distante alvo na mosca na primeira flecha lançada, e ainda foi capaz de dividi-la em dois com seu segundo tiro. “Sim!”, ele exclamou para o velho arqueiro, “Veja se pode fazer isso!” Imperturbável, o mestre não preparou seu arco, mas em vez disso fez sinal para o jovem arqueiro segui-lo para a montanha acima. Curioso sobre o que o velho estava tramando, o campeão seguiu-o para o alto até que eles alcançaram um profundo abismo atravessado por uma frágil e pouco firme tábua de madeira. Calmamente caminhando sobre a insegura e certamente perigosa ponte, o velho mestre tomou uma larga árvore longínqua como alvo, esticou seu arco, e acertou um claro e direto tiro.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

ÍCARO ( Mitologia Grega)


Quem nunca sonhou em voar bem alto, como os pássaros? Na mitologia grega, Ícaro realizou esse sonho, mas pagou um preço muito alto. Conheça agora a história do voo de Ícaro, esse trágico herói grego. Ícaro era filho de Dédalo, o genial arquiteto e inventor que trabalhava para o Rei Minos, na Ilha de Creta. Foi Dédalo quem projetou o labirinto onde vivia o temível Minotauro, e foi também ele quem ensinou a Princesa Ariadne como ajudar Teseu a entrar e sair do labirinto sem se perder em seus corredores. Depois que Teseu derrotou o Minotauro (essa história a gente conta outro dia...), Dédalo foi preso no labirinto, junto com seu filho, Ícaro. Para conseguirem fugir, ele teve a ideia de construir asas feitas com penas de gaivotas coladas com cera de abelhas. E, como era um grande inventor, suas asas realmente funcionaram e os dois saíram voando do labirinto e fugiram de Creta. Porém, ao sentir-se livre como um pássaro, voando pelos céus, Ícaro pensou que era tão poderoso quanto um deus e voou cada vez mais alto, sem ouvir os conselhos de seu pai, que alertava para o perigo de um voo tão ousado. O castigo pela ousadia não demorou. Pouco a pouco, o calor do sol foi derretendo a cera e descolando as penas, desfazendo as asas. Sem poder ajudar o filho, Dédalo assistiu horrorizado enquanto Ícaro despencava das alturas até cair no mar Egeu, onde acabou se afogando. Mas o sonho de voar como os pássaros não morreu junto com Ícaro, pelo contrário. Continuou a inspirar inventores tão geniais quanto o lendário Dédalo, entre eles Leonardo da Vinci e o brasileiro Santos-Dumont, o inventor do avião.

domingo, 9 de setembro de 2018

O Buda Silencioso (Generosidade]


Era uma vez, existia um homem muito rico morando em Benares, na Índia Setentrional. Quando seu pai morreu, ele herdou até mais riqueza. Ele pensou, "Por que eu deveria usar este tesouro somente para mim? Permitirei que meus semelhantes também se beneficiem desta riqueza." Assim ele construiu salões de jantar nos quatro portões da cidade - norte, leste, sul e oeste. Nestes salões de jantar ele deu comida livremente a todos que quiseram, e ficou famoso por sua generosidade. Também ficou conhecido que ele e seus seguidores eram praticantes dos Cinco Passos de Treinamento. Naqueles dias, havia um Buda Silencioso meditando na floresta próxima de Benares. Ele era chamado Buda porque era iluminado, isso significava que ele não mais se sentia a ele mesmo, o chamado 'eu’, como sendo de qualquer forma diferente de tudo da vida vivida propriamente. Assim ele podia experimentar a vida como realmente é, em cada presente momento. Sendo alguém com toda a vida, ele era cheio de compaixão e complacência com a infelicidade de todos os seres. Então desejou instruir-se e ajudá-los a serem iluminados da mesma maneira que ele era. Mas o tempo de nosso conto era na maioria das vezes desafortunado, um tempo muito triste. Era um tempo no qual ninguém estava disposto a entender a Verdade, e sentir a vida como realmente é, e desde então este Buda soube disso, e era por isso que ele era Silencioso. Enquanto meditava na floresta, o Buda entrou estado mental muito elevado, sua concentração era tão grande que permaneceu imóvel por sete dias e noites, sem comer ou beber. Quando retornou ao estado normal, ele estava em risco de morrer de fome, no momento habitual do dia, ele foi buscar comida na mansão do homem rico de Benares. Quando o homem rico acabou de se sentar para almoçar, ele viu o Buda Silencioso que vinha com sua tigela, ergueu-se de sua cadeira respeitosamente e ordenou ao seu empregado para oferecer comida a ele. Enquanto isso, Mara, o deus da morte, estava assistindo, Mara é aquele que é cheio de cobiça para ter o poder sobre todos os seres, ele tem este poder por causa do temor da morte. Desde que, um Buda viva plenamente a vida em cada momento, ele não tem nenhum desejo de vida futura, e nenhum medo da morte. Então, já que Mara não tinha nenhum poder sobre o Buda Silencioso, desejou destruí-lo. Quando viu que ele estava prestes a morrer de fome, soube que teria uma boa chance de ter sucesso. Antes de o empregado poder colocar a comida na tigela do Buda Silencioso, Mara criou um poço profundo de carvão em chamas, ardentes e vermelhos entre eles. Parecia com a entrada para o inferno. Quando viu isto, o empregado temeu pela morte e correu de volta para seu patrão. O homem rico perguntou a ele por que ele retornou sem dar a comida. Ele respondeu: - "Meu senhor, existe um enorme e profundo poço quente de carvões vermelhos em chamas justo na frente do Buda Silencioso." O homem rico pensou, "Este homem deve estar vendo coisas!" Então enviou outro empregado com a comida, e este também retornou assustado com o mesmo poço de carvões ardentes. Vários empregados foram mandados, mas todos retornaram assustados com a morte. Então pensou o patrão, "Não há dúvidas de que Mara, deus da morte, pode tentar evitar meu saudável ato de oferecer comida ao Buda Silencioso! Porque ações saudáveis são o início do caminho para o esclarecimento, assim, Mara deseja me parar a qualquer custo. Mas ele não entende minha confiança no Buda Silencioso e minha determinação em ofertar." Assim ele próprio levou a comida para o Buda silencioso. Ele mesmo viu as chamas que subiam do poço ardente. Então olhou para cima e viu o terrível deus da morte, flutuando acima no céu. Ele perguntou, "Quem é o senhor.?" Mara respondeu, “eu sou o deus da morte!" "O senhor criou este poço de fogo?" Perguntou o homem. "Eu criei," disse o deus. "Por que o senhor fez isso?" "Para afastar você de dar comida, e deste modo causar a morte do Buda Silencioso! Também para evitar a sua ação saudável de ajudar você no caminho do esclarecimento, assim você permanecerá em meu poder!" O homem rico de Benares disse, "Oh Mara, deus da morte, demônio, você não pode matar o Buda Silencioso e você não pode impedir minha ação saudável de doar! Vamos ver qual determinação é mais forte!" Então ele olhou de um lado para outro do poço furioso de fogo, e disse para o tranqüilo e gentil Iluminado, "Oh Buda Silencioso, faça com que a Luz da Verdade continue a brilhar como um exemplo para nós. Aceite este presente de vida!" Assim dizendo, ele esqueceu completamente de si mesmo, e naquele instante não existia nenhum medo da morte. Assim, ele andou no poço em chamas, ele sentiu-se sendo erguido por uma formosa flor fresca de lótus. O pólen de desta flor milagrosa estendeu-se no ar, e o cobriu com sua brilhante cor de ouro. Em pé no coração da flor de lótus, o homem despejou a comida na tigela do Buda Silencioso. Mara, deus da morte, estava derrotado! Em agradecimento a este presente maravilhoso, a Buda silencioso levantou suas mãos em bênção. O homem rico curvado em homenagem, juntou suas mãos acima de sua cabeça. Então o Buda Silencioso partiu de Benares, e foi para as florestas do Himalaia. Ainda em pé na maravilhosa flor de lótus, brilhando com cor de ouro, o patrão generoso ensinou a seus seguidores. Ele disse a eles que a prática dos Cinco Passos de Treinamento é necessária para purificar a mente. Ele disse a eles que aquele que tem mente pura, existe grande mérito dando esmola - isso é verdadeiramente o presente da vida! Quando ele terminou o ensinamento, o poço ardente e a encantadora e fresca flor de lótus desapareceram completamente. A moral é: Não tenhas nenhum medo de fazer ações benevolentes.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Oásis..


Conta uma popular lenda do Oriente que um jovem chegou à beira de um oásis junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe: – Que tipo de pessoa vive neste lugar ? – Que tipo de pessoa vivia no lugar de onde você vem ? – perguntou por sua vez o ancião. – Oh, um grupo de egoístas e malvados – replicou o rapaz – estou satisfeito de haver saído de lá. – A mesma coisa você haverá de encontrar por aqui –replicou o velho. No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe: – Que tipo de pessoa vive por aqui? O velho respondeu com a mesma pergunta: – Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem? O rapaz respondeu: – Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de deixá-las. – O mesmo encontrará por aqui – respondeu o ancião. Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho: – Como é possível dar respostas tão diferente à mesma pergunta? Ao que o velho respondeu : – Cada um carrega no seu coração o ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui, porque, na verdade, a nossa atitude mental é a única coisa na nossa vida sobre a qual podemos manter controle absoluto..

sábado, 18 de agosto de 2018

A bruxa que queria ser fada.


Relva era uma bruxinha que sonhava em ser fada. Todos os dias ela pensava numa forma de se transformar em uma linda fadinha, mas seus poderes não permitiam que mudasse quem era de verdade. Mesmo tendo um bom coração, ainda seria uma bruxa. Um belo dia decidiu que a melhor forma de se transformar em fada seria vestindo-se como uma. Então, costurou um lindo vestido, com uma saia bem rodada, colocou um par de asas nas costas e fez uma varinha de condão. Quando se olhou no espelho, viu uma fadinha encantadora. Convencida de que todos a aceitariam como fada, foi para a floresta cantarolando. Chegando à floresta, Relva notou que algo não estava certo. Os animais não a seguiam como fazem quando as fadas cantam. Em cima de uma árvore, um serelepe ratinho a observava. — O que há bruxinha? — ele perguntou. — Algo está lhe incomodando? — Como sabe que sou uma bruxa? Não pareço uma fada? — Sim, até que parece, mas não tem aquilo que as fadas têm. — Como não? Tenho asas, vestido e uma varinha de condão! — Fadas têm algo a mais. Elas possuem o olhar das fadas! Olhos que brilham! Relva foi para casa muito pensativa e decidida a encontrar uma forma de fazer seus olhos brilharem como os das fadas. O dia nasceu e no céu havia um lindo arco-íris. Ela observou atentamente pela janela do seu quarto. De repente, surgiu a grande ideia! — Farei óculos de arco-íris e meu olhar será brilhante como o das fadas! Ela pegou sua varinha, girou no ar e apontou para a mesa da sala. Num toque de mágica surgiram os óculos de arco-íris. Eles brilhavam tanto que a casa da bruxinha se iluminou. Então, ela se vestiu e colocou seus novos óculos, e em seguida partiu para a floresta cantarolando ainda mais alto que no dia anterior. Mas, mais uma vez, nada aconteceu… Os animais continuavam escondidos, uns poucos olhavam de suas tocas com curiosidade. A coruja, muito sábia, resolveu opinar. — Relva, minha querida, a quem você quer enganar? Não se parece com uma fada, ninguém vai acreditar! Pobre Relva… Baixou a cabeça e voltou para sua casa sem saber o que fazer. Os óculos de arco-íris não brilhavam como deveriam… A bruxinha pensou, pensou, até que a noite chegou. Olhando para o céu, ela viu a estrela mais brilhante e imaginou que, com o brilho de uma estrela no olhar, todos a veriam como fada! Mais uma vez pegou a varinha, girou no ar e num passe de mágica surgiram os novos óculos, desta vez de estrelas, ainda mais lindos e brilhantes do que os primeiros. Então foi dormir, pois já era muito tarde. O dia ainda estava clareando quando Relva acordou e começou a se arrumar. Logo saiu toda vestida de fada para a floresta encantada. Ao chegar, notou que os animais riam dela. Quando perguntou o motivo, a serpente debochadamente respondeu: — Você está toda vestida de fada, mas sabemos que não é uma delas. Falta o brilho no olhar, você não o possui. Relva não sabia como conseguir o tal brilho, não era o do arco-íris nem o das estrelas… Estava chateada e cansada demais, decidiu que não iria mais tentar. Deitou-se na grama e começou a olhar as árvores, com o tempo foi se acalmando e começou a esquecer o que lhe aborrecia. Avistou um passarinho construindo seu ninho, ele ia para lá e para cá juntando gravetos. Distraidamente, Relva pegou um raminho ao seu lado e entregou ao passarinho que ficou muito agradecido. Feliz por ajudar, notou um castor na represa, roendo suas toras, e deu uma mãozinha. Quando a noite chegou, Relva havia feito muitos amigos e ajudado a todos. Então foi para casa, pois estava muito cansada, mas também muito satisfeita por ter ajudado seus novos amigos. Quando chegou, viu todos os animais reunidos, olhando admirados para ela. A bruxinha não entendeu o motivo, pensou que havia esquecido algo ou que tivesse vestido a roupa pelo avesso, mas nada estava fora do lugar. A coruja exclamou: — Relva, seus olhos brilham! — Como os olhos de uma fada? — perguntou ansiosa. — Bem, não exatamente, mas estão muito parecidos… — Ah, que pena. Mas, se meus olhos estão brilhando, deve ser um bom sinal! Não é mesmo? — É sim! O poder do amor, Relva! Ele é mais importante que qualquer magia no mundo encantado. Quando ajudamos nossos amigos sem esperar nada em troca e cultivamos nossas amizades, nossos olhos brilham cheios de amor como os olhos das fadas que cuidam da floresta. E você está cheia de amor! Relva ficou muito satisfeita. Mesmo não tendo se tornado uma fada como queria, aprendeu que quando paramos de pensar apenas em nós mesmos, conseguimos ser verdadeiramente felizes. Daquele dia em diante, Relva, a bruxinha que queria ser fada, ganhou fama de amiga e protetora da floresta. * A arte que ilustra este texto é de autoria de Nathália Pimentel.
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